Apresentado no Encontro Internacional sobre a Cidade o Corpo e o Som – TEPe 2022

Esta é uma caminhada performativa em formato de visita-guiada áudio-walk pela zona ribeirinha de Lisboa onde os espaços são tensionados pela invocação da memória das pessoas escravizadas, moçárabes, cristãos-novos, e seus descendentes, que os viveram. Nesta caminhada ritual queremos honrar aqueles que também construíram Portugal e que fazem hoje parte do património genético e cultural desta sociedade, ao mesmo tempo contribuindo para um possível ritual reconciliatório de uma temática que ensombra o passado português.

A etimologia da palavra Imemorial vem do Latim in-+memoriāle-, «que ajuda a memória». Podemos ler no dicionário da Infopedia.pt que a palavra se refere ao que não existe, que não se pode ou não se deve manter na memória; que não se consegue lembrar por ser extremamente antigo; sem memória. Oitocentos anos depois da fundação de Portugal e quinhentos depois da sua expansão marítima, que novos olhares surgem entre as ruínas e espaços vazios do passado? 

Imemorial: Carta a Lisboa elabora sobre um Portugal miscigenado, construído sobre processos de integração social, com base no apagamento da identidade, no ocultamento e na amnésia. Faremos uma viagem que nos levará da conquista de Lisboa e dos escravos moçárabes levados por D. Afonso Henriques para Coimbra – e a sua libertação posterior por ação de S. Teotónio –, até ao achamento das ossadas do chamado caso do “Poço dos Negros” de Lagos. Um apresentador/“mestre de cerimónias” conduzirá os espectadores através de um percurso ao longo do qual serão apresentados elementos gráficos e executadas ações rituais. Nesta caminhada, passaremos por locais simbólicos como o antigo Pelourinho-velho, a antiga Igreja de Misericórdia, invocando apontamentos históricos que ilustram a participação efectiva das comunidades referenciadas na vida cultural da cidade de Lisboa, como por exemplo os “vilancicos negros” que atestam da relação entre música erudita e sacra com a popular de origem africana.

 

Ainhoa Vidal

Carlos Nicolau Antunes

Otaviano Rodrigues

Rui Filipe Antunes

Ricardo Fonseca Mota 

 

Produção – Associação Substantivo Mágico / TEPe – Technologically Expanded Performance / Garantir Cultura